A boa palavra

O bom coração tem sempre uma boa palavra e sabe identificar a ocasião propícia para proferi-la. Assim, quero transmitir bondade neste texto e busco uma gênese particular, de onde brote todo o bem.

De que tipo de texto surge a bondade? Insisto no tema por causa da agressividade destes tempos, da aridez que encontramos em toda parte, da falta de gentileza, de palavras como “me desculpe”, “por favor”, “com licença” e “muito obrigado”.

Estas são, basicamente, as boas palavras que abrem um sorriso, fazem retroceder as pressões e tensões, iluminam semblantes e acalmam tempestades em potencial. Saber pedir desculpas, reconhecer um erro, pedir perdão, quantos são capazes disso?

Um querido e saudoso professor dos meus tempos do ginásio, afirmava: “É muito bom ser importante; mas é muito importante ser bom”. Além desta máxima preciosa, ele nos lembrava de outra coisa fundamental: devemos valorizar tudo o que temos, pois “as coisas tidas já foram um dia desejadas”.

Há bondade e beleza no gesto de reconhecimento e valorização das nossas aquisições, sejam grandiosas ou pequeninas. Nem sempre compreendemos este fato, este valor, não fomos muito bem educados para cuidar dos nossos pertences, mormente neste tempo em que tudo tem rápido descarte. Quebrou, compra-se um novo, conserto é coisa do passado.

Vejo desvelo e afeto nas atitudes de quem recicla, recupera, restaura, conserva, dá vida nova ao que estava jogado às traças. Vejo carinho nas mãos laboriosas de quem remenda uma roupa, costura, conserta, tornando útil e aproveitável uma peça danificada.

Mas nada supera a bondade das palavras. Uma boa palavra vale ouro em determinados momentos e só quem a recebeu sabe o seu valor, a riqueza contida nos seus fonemas. A bondade ainda é revolucionária, na contramão de tudo o que está estabelecido. A delicadeza desarma. Com uma frase de paz é possível transformar, mudar situações difíceis e alcançar um estado incomum de serenidade.

Cresci ouvindo isso: “o falar é prata; o calar é ouro”. O que é dito num momento de ira pode causar um arrependimento profundo e nem sempre se consegue apagar palavras… Minha mãe dizia que devíamos morder a língua e contar até dez, antes de dizer algo ruim a alguém. Quanta má palavra é dita em momentos de raiva ou de ressentimentos.

Ninguém se arrependerá de ter sido moderado na língua ou de ter suportado uma afronta em silêncio. Contudo, quão difícil é engolir em seco, sobretudo quando se está coberto de razão.

Hoje, deixo esta reflexão ao caro leitor. Do quanto vale lutar pela boa palavra. Que cada um tenha uma proposta salvadora. O marido diga à esposa que a ama e vice-versa. Os filhos beijem os pais; os vizinhos se cumprimentem com gentileza; os chefes e funcionários se tratem com respeito e que a harmonia seja a tônica dos ambientes.

Não, não é fácil. Mas nada que uma boa palavra não possa derrubar os muros da indiferença, da rispidez, da insensibilidade e da falta de amor. Dizia eu, quando mocinha, querendo imitar os grandes frasistas: ”Um só jeito de dizer as coisas salvaria todos os nossos jeitos”.

Por Marisa Bueloni mora em Piracicaba, é formada em Pedagogia e Orientação Educacional – marisabueloni@ig.com.br  via Rádio Positiva

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