Aquela madrugada de segunda-feira…

Um sonho…

Do alto da varanda, sozinho com meus pensamentos, relaxo a mente e o corpo.

A noite estava quente. O vento não era nem brisa nem grito. As estrelas deixavam o céu mais elegante, como se fosse para uma festa.Numa-madrugada-qualquer

Contemplando a rua, com os postes a iluminar, os carros parados, e quase nenhuma pessoa naquela hora a andar, eis que no silêncio do mundo vejo que ele é surpreendido por um beijo dela. ‘Mas… só um beijo?’, deve ter pensado ele… ‘e tão rápido?’… Ao que ela, pela expressão que fez, deve ter dito ‘Por que você não descobre?’

Ambos se aproximaram novamente, como se quisessem saber mais…sentir mais e ir além daquele beijo de poucos segundos. Os dois morenos, através da cor da pele se misturavam, e se identificavam pelo encontro das bocas… pela proximidade dos corpos.

As mãos dele ora estavam na nuca dela, gerando um singelo cafuné, ora percorriam as costas… a cintura – e estavam próximas de chegar as nádegas! (que sensação!) Ela, de uma forma sutil, parece ter descoberto a fraqueza dele: suaves mordidas no pescoço o deixavam suspirando, e as carícias que a língua dela realizava na orelha o faziam levantar os olhos para o céu, como se quisesse controlar um possível gemido!

Olhares.

Incertezas.

Contemplação.

Vendo aquela cena, o meu coração ficou acelerado e eu fui tomado por uma excitação forte… uma ideia começou a me perturbar: ‘e se fosse eu ali… no lugar dele?’ (Ah…!)

Com alturas diferentes, ela logo achou um jeitinho para ficar numa posição onde fosse mais fácil se deixar envolver: elevou-se numa alteração da arquitetura humana, e encontrou os olhos dele – com um brilho de desejo evidente. De cabelos negros… pele ardente e pegada firme, ela era uma mulher a se desejar mais.

Era evidente que ele queria retribuir toda intensidade que estava vivenciando…

Ele faz questão de segurá-la seus cabelos – e também de desarrumá-los… mas por um bom motivo: ele os segura com as duas mãos, enquanto puxa suavemente para trás deixando o pescoço dela desprotegido. Bem próximo aos seios dela ele começava a deslizar seus lábios com carinhos demorados… que encontram sua boca depois de um tempo. Ele ouvia pequenos soluços de prazer quando sua barba encontra a pele dela…e ela por breves instantes mantinha a respiração ofegante.

Ah… aquela cena!

Envolvimento.

Deleite.

Vida em efervescência.

O tempo contava contra aqueles dois.

A madrugada avançava… e a passos lentos mas constantes a manhã de segunda-feira se aproximava. Por mais que a despedida fosse adiada, tinha que ser realizada. Todo aquele envolvimento, breve e intenso, ia se dissipar com o ar

Ele… tinha que se dirigir para o outro lado do mundo.

Ela… para o outro lado do universo.

Uma viagem para ambos.

Partida.

Aquela madrugada de segunda-feira foi uma fração de existência, e uma doce sensação para recordar

Um sonho…

Não…

Tudo era real. Tão real que, na verdade, ele não era ele. Ele… era eu.

 

Por Ricardo Verçoza – Professor, Administrador e futuro Jornalista.

3 pensamentos sobre “Aquela madrugada de segunda-feira…

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