Utilizando a “Arte da Guerra” para gerenciar as crises

Como incomoda não ter o resultado esperado…

Como é desagradável perceber que aquela estratégia não ajudou a empresa, e que trouxe graves desconfortos nas relações com os clientes…

Como é angustiante perceber que os problemas só crescem…

Calma. O mundo não vai virar um apocalipse por conta disso, por mais que as coisas estejam difíceis. Enquanto seres humanos é quase impossível não passarmos por uma crise, seja no âmbito pessoal ou no profissional – e não estou sendo pessimista quando afirmo isto. As crises são originadas por um planejamento não muito bem definido (ou detalhado), por fatos que não podemos controlar ou até por uma certa falta de maturidade. Independente do motivo, temos a possibilidade de reinventar nossa maneira de agir e seguir nossa jornada com outras perspectivas sobre nossas tarefas.

Compreendendo melhor o sentido de crise, é possível encontra-la associada palavra grega krísis, usada pelos médicos antigos com um sentido particular. Quando o doente, depois de medicado, entrava em crise, era sinal de que haveria um desfecho: a cura ou a morte. Crise significa separação, decisão, definição. Outro sentido para crise, é que ela antecede uma mudança disruptiva: seu mundo não será o mesmo, e a capacidade de análise e interação cresce exponencialmente – isso se você conseguir aprender com a situação.

Aprendemos constantemente, se tivermos a abertura e a disponibilidade necessárias. Neste ponto me utilizo dos ensinamentos de Sun Tzu, com o livro “A Arte da guerra”, para viajar em suas palavras e entender meios que ajudam a se preparar e se antecipar para as crises. Gosto deste livro porque ele traz algumas reflexões simples e outras profundas acerca das atitudes sobre si e sobre os outros – apesar da linguagem estar voltada para um contexto de guerra. Obviamente, não vamos enfrentar uma guerra em seu sentido literal, mas vamos travar nossas próprias batalhas para superar as dificuldades. Destacarei algumas frases de Sun Tzu para mostrar como podemos lidar melhor com as crises, com foco em três assuntos: 1 – a preparação para os acontecimentos, 2 – as manobras sobre as circunstâncias, e 3 – as estratégias

1 – Preparação para os acontecimentos:

“Nos tempos antigos, os grandes guerreiros se tornavam invencíveis primeiro, e depois buscavam as falhas de seus inimigos”.

“Um exército vitorioso ganha primeiro e luta depois, um perdedor luta primeiro e tenta obter a vitória depois”.

A primeira frase reforça o sentimento que devemos ter com o próprio aperfeiçoamento e amadurecimento, e ir além do sentimento: realizar ações práticas que solidificam uma percepção segura das atitudes no cotidiano. Depois de ter atingido essa “invencibilidade”, buscaria agir sobre o inimigo. Já a segunda frase revela que cada um de uma equipe tem que assumir suas atividades, ou suas posições, para ter a certeza que na luta o sucesso vai surgir. Coesão na equipe é imperativo. OBS: devemos ir além do significado conhecido de “inimigo”. Se aplicarmos a palavra hoje, podemos associá-la a outras coisas, como a conquista de um mercado, de uma promoção, ou a superação de um medo. Tudo depende do quê e de quem.

2 – Manobras sobre as circunstâncias:

“A Lei das manobras consiste em dominar as distâncias e transformar os problemas em vantagens”.

“Pondere a situação; depois, mova-se”.

Como eu disse mais acima, aprendemos constantemente se tivermos a abertura e a disponibilidade para tal. Logo, podemos, com o tempo, aprender a transformar o que é um problema numa solução, numa vantagem. Isso é a manobra da vida, ou como muitos conhecem, o “jogo de cintura”. Já sobre a segunda frase é simples e objetiva: diante de situações, pondere, faça considerações e análises, para só a partir disso executar algum plano ou tomar alguma atitude. O ‘X’ da questão em situações de crise é que algumas pessoas são tomadas pelo desespero e acabam se complicando ainda mais naquele momento. Sendo assim, pense, analise e mova-se!!

3 – Estratégias:

“Conhece a si mesmo e ao inimigo e, em cem batalhas, você nunca correrá perigo”.

“Conhece a si mesmo, mas desconheça seu inimigo, e suas chances de ganhar e perder são iguais”.

“Desconheça a si mesmo e ao inimigo e você sempre correrá perigo”.

Essas três frases fazem parte de uma mesma lógica de pensamento, e envolvem duas partes: você e o “inimigo”. Lembrando a observação que eu fiz anteriormente, devemos ir além do significado conhecido de “inimigo” e buscar entender dentro dos contextos apresentados. Não há melhor estratégia do que aquela na qual você sabe o seu próprio potencial, bem como também procura saber o potencial das pessoas que te cercam – da equipe. Independente das situações, se você se conhecer (e a sua equipe), e também conhecer o outro lado, ao que Sun Tzu chama de inimigo, haverá grandes chances de sucesso. Caso contrário, se você não busca ter o conhecimento nem do “inimigo”, nem de si mesmo, não pode lamentar a sorte que for ter.

Recomendo uma leitura mais atenta do livro “A arte da guerra”, pois muito mais ensinamentos podem ser aprendidos, e não somente para assuntos relacionados a estratégia ou vendas o livro é interessante. Se você for perspicaz, certamente vai compreender que na crise também é possível ter Sun Tzu como “amigo”. E neste final, deixo uma provocação:

“No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”. (Dante Alighieri)

Paz e bem.

Por Ricardo Verçoza – Professor, Administrador e futuro jornalista.

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