Do consumismo ao escambo fashion e ao consumo colaborativo: em busca de um novo estilo de vida

Escambo: termo que talvez você associe com elementos da história, mais precisamente com o estabelecimento dos portugueses no Brasil e sua relação com os índios. O escambo pode ser entendido como a troca de mercadorias sem que haja dinheiro envolvido, e há muito tempo foi bastante utilizado para favorecer a sobrevivência das pessoas e a construção de relações. Foi utilizado em um tempo onde não existia a consciência de propriedade privada nem o consumismo (exagero do consumo) que ocorre hoje, já que o objetivo essencial era ter o SUFICIENTE para viver e manter a individualidade e a coletividade. E observação: não confundir individualidade com individualismo.

Individualidade é a natureza própria de cada indivíduo; são suas qualidades e defeitos, sua perspectiva de mundo e sua ideia sobre coletividade. Já o individualismo é a natureza do ser humano voltada apenas para si mesmo e sua perspectiva de mundo desejando acumular, e não partilhar.  O escambo “era” uma proposta fantástica, mas a medida que as sociedades foram mudando – como um sinal de “modernidade” – essa prática deixou de existir. As terras começaram a ter um único dono; o excedente não era trocado por coisas em falta – mas passou a ser acumulado; relações de confiança passaram a ficar estremecidas e a dar lugar a relações de desconfianças. Tudo isso é retrato da realidade que hoje vivemos no século XXI, influenciados por um modelo de economia que privilegia o TER e não o SER, e que nos conduz a adquirir cada vez mais produtos e a descartar também cada vez mais. É fato que os produtos “perderam” a qualidade e/ou se reinventam numa velocidade muito grande; desta forma, somos provocados a ter o que é “novo” com mais frequência.

E para onde caminhamos se continuarmos a focar os aspectos do TER? Ao fim daquilo que chamamos de sociedade. Não acredita? O que você me diz da situação de Israel e Palestina? Da necessidade dos E.U.A ou da Coréia do Norte de mostrar “supremacia”? Ou das constantes alianças políticas para lucrar as custas do povo brasileiro? Isto nada mais é do que o desejo de TER em detrimento do SER. Mas apesar de todo esse contexto, existe esperança. Existe esperança porque as pessoas estão ficando mais conscientes de seus impactos no meio ambiente (sua pegada ecológica), buscam alternativas ecológicas, vão além dos 3R’s da sustentabilidade, e querem ressignificar as relações para torná-las novamente agradáveis e de confiança.

Tendemos cada vez mais a buscar um novo estilo de vida, baseado em uma percepção da vida mais apurada. Estamos voltando a desenvolver o escambo, só que uma forma diferente: alguns eventos são organizados para atrair pessoas de várias idades, e consequentemente a quantidade de itens a ser trocado é muito maior – dai vem a ideia de “Escambo fashion”. Claro que pode ser apenas modismo ou um nome chamativo para uma prática antiga…prefiro acreditar que seja uma nova postura sobre aquilo que possuímos. O coletivo volta a tona porque vivemos com outras pessoas (e isto significa conviver) e as experiência de trocas proporcionadas pelo escambo ou pelo escambo fashion desenvolve este aspecto que tanto precisamos hoje: estreitar relações.

A importância de possuirmos coisas – coisas físicas – está diminuindo, e deve ser alvo de reflexão mais frequente. Trocas de ferramentas, compartilhamento de terra, permuta de roupas, compartilhamento de brinquedos e bicicletas, espaços de trabalho compartilhados, coabitação, financiamento coletivo e tantos outros exemplos sobre consumo colaborativo.  Busque um novo estilo de vida…de relação com os pares e o meio ambiente.

Deixo uma frase para refletir, de Jeremy Rifkin, escrita em seu livro The Age of Acess:

“É provável que, para uma quantidade cada vez maior de empresas e consumidores, a própria ideia de propriedade pareça limitada, até mesmo fora de moda, daqui a 25 anos”.

Será?!!

Sugestão de Leitura:  O que é meu é seu – como o consumo colaborativo vai mudar o seu (nosso) mundo. Autores: Rachel Botsman e Roo Rogers. Editora: bookman 

Por Ricardo Verçoza – Professor, administrador e futuro jornalista. 

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