Atitude fora dos trilhos: quando a busca por resultados compromete a empresa

Corrupção. Mal que está em todas as sociedades e é de conhecimento que o Brasil muitas vezes se destaca no assunto, quase como um especialista – notadamente agora em ano de copa do mundo.

Segundo informações que saiu na revista você S/A (edição de abril), o custo estimado da corrupção no Brasil é de 2,3% do PIB anual, ou seja, 82 bilhões de reais saem do bolso do contribuinte. Esse é o reflexo quando pensamos o quanto a sociedade está perdendo por obras mal estruturadas e acabadas, falta de planejamento, constantes aditivos para concluir o que deve ser feito, entre outros fatores. No último ranking realizado pela ONG Transparência Internacional, que analisou os índices de corrupção em 177 países, o Brasil ocupou a 72ª posição, atrás de nações menos desenvolvidas, como Gana, Malásia, Namíbia e Arábia Saudita. Acredita?!

Bem… e no âmbito das empresa? Nas empresas a busca por resultados satisfatórios ou acima da média cria uma tentação em diversos profissionais – independente do cargo. A competitividade, fruto da diversidade de produtos, empresas e estratégias, impulsiona a busca por sempre fazer o melhor. Contudo, quanto se percebe que a campanha de marketing do concorrente ficou melhor, que o fraco desempenho das vendas no e-commerce proporciona uma menor parte do market share e que seguir a legislação acaba por diminuir as chances de negócios “lucrativos”, a ideia e a prática de ética vai ficando de lado para dar vez a (falsa) ideia e prática de sucesso. Tantas são as maneiras trazer um melhor posicionamento estratégico, que o caminho escolhido acaba sendo o caminho mais fácil. Um exemplo é as denúncias de cartel e superfaturamento de contratos firmados com o metrô de São Paulo e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, e que envolveu a empresa Siemens.

De acordo com uma pesquisa realizada pela KPMG publicada em fevereiro de 2014, 62% dos 500 executivos brasileiros entrevistados acreditam que as empresas onde trabalham participariam de atos de corrupção, 17% não têm certeza e apenas 21% acreditam que a companhia não se corromperia. Neste cenário de descrédito por parte de quem trabalha, parece meio que “inevitável” ceder a tentação de obter mais facilmente os resultados que tanto a empresa necessita. Será?! Acredito que não, pois não somente as pessoas que estão perdendo com seus próprios deslizes, mas as empresas também – e deixar a imagem da empresa ruim é afetar sua existência no longo prazo. Na tentativa de coibir as práticas ilícitas dentro das empresas, entrou em vigor no fim de janeiro de 2014 a Lei nº 12.846/13, a chamada Lei Anticorrupção, e ela determina que as empresa sejam penalizadas pelos atos de corrupção dos empregados. Essa lei segue os exemplos de outros países, como o Reino Unido (com a lei da Propina) e os E.U.A. Mas tenho uma dúvida: será que esta lei aqui no Brasil vai “pegar” (funcionar)? O importante é ter esperança.

Fazer o que é certo, mesmo que o caminho seja difícil, trará para a empresa mais frutos do que se ela fosse fazer o mais fácil. Criar uma cultura que propague a transparência e o respeito, estabelecer um código de ética (e divulgá-lo), e reforçar uma postura verdadeira pode alavancar os negócios da empresa e a solidificar seu maior ativo: as pessoas.

OBS: algumas informações foram retiradas do texto “Atitude fora dos trilhos”, da revista Você S/A, edição de abril (Pg. 62).

Por Ricardo Verçoza – Professor, Administrador, Blogueiro e futuro jornalista.

@CapitaoCoragem

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