Inove ou evapore!

“Há dois tipos de pessoas no mundo: os realistas e os sonhadores.

Os realistas sabem onde estão indo. Os sonhadores já estiveram lá.”(Robert Orben)

Nostalgia! Recordo-me da minha infância, onde meus pensamentos planavam pela imaginação fértil, travava guerras interplanetárias por lugares que nunca se ouviu falar, a não ser pelo meu consciente. Era o engenheiro, o arquiteto, o estrategista, o desenvolvedor de tudo que ousava imaginar, com uma mente limpa e pouco influenciada pelo sistema. Meus pais permitiam que viajasse por lugares incomuns e deixavam meu criativo borbulhar ideias, meu cérebro entrava em ebulição. Agradeço até hoje por essa liberdade e incentivarem minhas brincadeiras no âmbito imaginário, sem saberem, despertaram meu pensamento “fora da caixa”.

Desde jovens, o sistema tenta nos padronizar a pensar exatamente igual e levar a mesma conclusão. Entretanto, temos parcela de culpa neste processo, pois permitimos que a cultura da padronização conduza nossos pensamentos e ações. Faço analogia com a motivação que se refere a motivos que gerem ações direcionadas a atingir um objetivo – digo sempre que é uma característica mais intrínseca, do nosso eu. De nada adianta o ambiente externo me fornecer bons recursos se a minha essência não conduzir e favorecer a motivação.

Assisti certa vez a uma palestra simplesmente empolgante do Mario Sergio Cortella (filósofo), dentre vários casos que ele descreveu, destaco um que vai de encontro à inovação: “Em uma grande fábrica que produzia creme dental encontrou-se um problema. A diretoria da unidade identificou através de pesquisas de satisfação junto aos seus clientes, inúmeras reclamações quanto ao produto, eles alegavam que muitas caixas do creme dental chegavam vazias em suas lojas. Rapidamente a diretoria mapeou internamente o que estava ocorrendo e descobriu que em sua linha de produção contínua havia uma falha de processo. Ocorreu que devido à alta demanda pelo produto, o gerente de produção tinha aumentado a velocidade da linha para cumprir o prazo dos pedidos, porém devido a esta ação muitas das embalagens (caixinhas) ficavam sem o tubo do creme dental e por ser um processo contínuo e muito demandado o controle de qualidade não notava estas falhas.

A diretoria rapidamente tomou uma ação para não prejudicar sua imagem junto aos clientes e contratou uma equipe de renomados engenheiros para encontrar uma solução. Algumas semanas se passaram e os engenheiros apresentaram a seguinte solução para a diretoria: instalar uma balança acoplada a linha com grande precisão e um braço mecânico, ou seja, quando passasse alguma caixinha vazia à balança identificaria pelo peso que ali não havia um tubo de creme dental e automaticamente o braço mecânico seria acionado para elimina-la da linha de produção. A diretoria muito satisfeita com a solução encontrada autorizou imediatamente a melhoria e alguns milhões foram desembolsados. Passados alguns meses uma nova pesquisa de satisfação foi solicitada e identificou-se que o nível de atendimento da empresa junto aos seus clientes estava em 100%, “realmente um sucesso”!

A diretoria toda orgulhosa resolveu visitar a linha para saber de seus operadores como estava o processo e comunicar o belo resultado conquistado junto aos clientes mediante a ideia que implementaram. Chegando à fábrica, logo quando se aproximaram da linha tomaram um susto, o sistema da balança e o braço mecânico estava desligado. Rapidamente um dos diretores questionou um operador simples que estava no local: Como vocês desligaram este brilhante sistema?

Nosso nível de atendimento irá cair novamente! Tranquilamente o operador respondeu: Doutor acontece o seguinte, toda hora que passava uma caixinha vazia a linha apitava e parava, aí vinha aquele bendito braço e a descartava. Sabe doutor, estávamos perdendo muita produtividade e os prazos quase não foram atendidos. Neste momento o diretor o interrompeu: Vocês são malucos! E o operador novamente: Fique tranquilo doutor, venha comigo. Sabe, juntei, eu e mais cinco operadores e fizemos uma “vaquinha”, compramos este ventilador com pedestal, bonito não é? Então, colocamos ele aqui, em frente à balança, quando passa uma caixinha vazia o bicho vai e assopra ela pra fora da linha, assim atendemos todos os pedidos e a linha esta com uma produtividade que dá gosto de ver!”

A inovação normalmente parte de coisas simples, muitas vezes em um singelo saber escutar. O ex-presidente da 3M (Willian L. Mcknight), empresa referência em inovação disse certa vez: “Ouça qualquer pessoa que tenha uma ideia original , por mais absurda que possa parecer”. Certa vez, um amigo me questionou como poderia fazer uma reviravolta em seu negócio e conquistar bons resultados, a minha resposta foi curta e objetiva: Inove ou evapore!

Fazer mais do mesmo, bater na mesma tecla, achar que em time que esta ganhando não se mexe, é o maior erro para o retrocesso de qualquer empresa. A concorrência bate a nossa porta diariamente com uma capacidade de inovação ilimitada, pois se não pensarmos fora da caixa, com certeza alguém pensará. Por fim, deixo a seguinte pergunta: Para haver inovação na empresa, é necessário que a decisão seja tomada de cima para baixo, ou seja, da diretoria até aos colaboradores?

Por Eduardo Silva, via Ideia de Marketing

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