Liderança: O excesso de confiança e a síndrome do General Sedgwick

Liderar hoje torna-se cada vez uma arte. Sendo arte, exige das pessoas que exercem a liderança uma postura de humildade diante dos fatos que envolvem os liderados e a concorrência.  E falando em humildade (ou da falta dela), posso citar a história do General Sedgwick, contada no livro de Mario Sergio Cortella “Qual é a tua obra? Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética”.

Segundo conta Cortella, na guerra civil norte-americana Sedgwick morreu com um tiro no olho esquerdo, em 9 de maio de 1864, enquanto observava as tropas inimigas ao longe. Ele duvidava, pela distância, que seus inimigos tivessem a capacidade de causar algum dano à tropa ou até mesmo a si. A última frase que disse foi “Imagine, eles não acertariam nem um elefante desta dist…”

O excesso de autoconfiança apresentada pelo General Sedgwick o levou a morte. Mas por quê? Porque, assim como vários líderes atualmente acreditam que são invulneráveis, certo do despreparo alheio, assim também aconteceu com o General. Um líder não pode supor que está blindado, pois perde a cautela tão necessária às atividades diárias. Ao imaginar que tudo o que faz ninguém vai superar ou ao supor uma falsa segurança pelos anos de prática, cria-se um ambiente cheio de arrogância. A arrogância nos preenche com o sentimento de plena satisfação e certeza, levando-nos a achar que já sabemos de tudo e consequentemente não precisamos saber mais nada… É uma sorrateira armadilha! Se o leitor (a) perceber, a abordagem deste texto é como um efeito dominó: falta de humildade leva ao excesso de confiança, que por sua vez cria um ambiente de arrogância e que acarreta…

O que acarreta? Acarreta, estabelecendo uma conexão com o tema, na síndrome do General Sedgwick: uma falsa impressão que o jogo já está ganho e que nenhum adversário estará a altura para competir. Se existe a zona de conforto, neste caso podemos destacar a zona de segurança, que seria pensamento de invencibilidade. Com a dinâmica forte do mercado e seu alto grau de inovação, esse pensamento de invencibilidade é um tiro no pé ou até mesmo a assinatura de fechamento da empresa… E eu posso contextualizar trazendo como exemplo o futebol. Nos anos 1970 um jogador de futebol corria, em média, 6 quilômetros por jogo. Hoje, com a estatística refeita, um jogador percorre o equivalente a 13 quilômetros. Não mudou o tamanho do campo, nem a duração da partida e tampouco o número de jogadores. E o que mudou, então? A velocidade do jogo, o ritmo e a estratégia. Se houve mudanças no futebol, com o mercado também não é diferente.

É fato que o mundo está mudando…na verdade sempre mudou: a diferença é a velocidade da mudança. Fazer o possível não é mais o suficiente. Devemos dar o melhor de si e buscar sempre a preparação e a melhora daquilo que fazemos, ou sucumbiremos ao nosso ego.

“O maior líder é aquele que reconhece sua pequenez, extrai força de sua humildade e experiência da sua fragilidade”. (Augusto Cury)

Por Ricardo Verçoza – Professor, Administrador e Blogueiro.

@CapitaoCoragem

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