1ª, 2ª e 3ª: a educação que premia, aliena e cria zumbis

Oh! querida educação…tão necessária para ação…

Que causa um esforço direcionado,

Para que o ser humano não fique parado,

Porque focas simplesmente em pura premiação?!

Como irei pensar… e por conseguinte me relacionar,

Se não sei raciocinar, só copiar?

Como irei entender… e por conseguinte criticar,

Se não me permitem imaginar, e nem ao menos caminhar?

Versos curiosos, e em certo sentido tristes, que mostram um pouco (ou muito) da realidade da nossa educação atualmente. Por quê? Por que com evolução tão crescente do mundo, a educação continua a focar na premiação e acaba esquecendo de formar indivíduos pensantes e críticos… resultado: mais importa aparecer entre os primeiros colocados do que realmente desenvolver o conteúdo e/ou aprender de fato. Como bem nos diz os versos, a educação provoca um esforço direcionado à dedicação, aos estudos e a mobilização (ação) do indivíduo em prol de alguma coisa. E o que seria? Um primeiro, segundo ou terceiro lugar? De que forma o modelo vigente contribui para o amadurecimento de nossos jovens e para o despertar do potencial criativo? Muito tranquilamente respondo: para quase nada (ou nada, simplesmente), a não ser para uma sociedade alienada, quadrada e sem imaginação.

Esta educação que premia é a educação classificatória, que da ênfase no quantitativo e não no qualitativo. Como vamos pensar se não temos liberdade? Desta forma não sabemos raciocinar e acabamos repetindo ideias e pensamentos de outros – o que pode ser muito mais fácil, certamente, mas não provoca a reinvenção do ser. Como iremos entender os fatos que nos cercam, e assim estruturar uma opinião, se não é permitido imaginar por si mesmo ou trilhar o próprio caminho? Porque o que aparenta é que devemos seguir um caminho já determinado. Eu quero criar… eu quero deixar a imaginação correr solta e fluir por lugares inexplorados.

O sociólogo José de Souza Martim pensou muito bem quando disse: A grande maioria está sobrevivendo mais que vivendo; sonhando mais que fazendo; imitando mais que criando. Será esta a verdadeira proposta da educação? Será esta a maneira de possibilitar a autonomia para o indivíduo, de forma a elevá-lo a um patamar mais amadurecido perante seu contexto? Sinceramente acredito que não. A educação nesta perspectiva classificatória é boa para causar impacto aos outros, mostrando um resultado positivo, e em alguns casos acima da média. O ser humano tem disso de estabelecer comparações para ver quem é o melhor em termos de notas. Mas o que poucas pessoas não percebem é o que deveria realmente ser objeto de nossa atenção: o desenvolvimento de competências.

Sem o desenvolvimento de competências dominaremos a arte da repetição e seremos artistas alienados de um país que será considerado uma constante promessa de desenvolvimento… mas só uma promessa. Essa alienação resulta em zumbis modernos de um novo século que não questionam o modus operandi, nem tampouco transformam sonhos em realidade. Então, lutemos por uma educação formativa, provocadora, livre de regras tolas e cheia de ação!

“Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão”. (Paulo Freire)

Por Ricardo Verçoza – Professor, administrador e blogueiro.

@CapitaoCoragem

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