Inovação na educação é possível?!

O texto a seguir é do site Ideias de Marketing. Vale a pena a reflexão!

“As empresas estão lutando por algo inovador e correndo para sair na frente e conquistar de vez o coração dos consumidores. Mas existe outro ambiente que ainda está muitos anos atrasados no quesito inovação, e esse sim deveria buscar incessantemente novidades e diferenciais para seu público final.  Estou falando da inovação na gestão da educação.

Há algumas semanas atrás uma matéria me chamou a atenção: uma escola no Rio de Janeiro, sem salas de aula, sem séries, sem lousas ou qualquer outro método parecido com o modelo atual de educação. Além da estrutura, o Gente, Ginásio Experimental de Novas Tecnologias, apostou em um método de ensino totalmente diferente do modelo tradicional. Lá os alunos se agrupam de acordo com interesses em comum e desenvolvem pesquisas independentes para apresentar (e ensinar) para o restante da “classe”.

Gente é um projeto que ilustra bem a iniciativa de inovar na gestão educacional do país. Na Europa esse tipo de iniciativa já acontece há algum tempo. Em Portugal a Escola da Ponte, desde meados dos anos 80, segue um método de ensino muito semelhante ao que o Gente está aplicando e, na Alemanha, a Pedagogia Waldorf que, desde 1919, tem como premissa o desenvolvimento do ser humano com características marcantes como, por exemplo, o fato de não se exigir do aluno, ou cultivar precocemente o pensar abstrato (intelectual).  Lá se almeja que as aulas sejam um preparo para a vida, e realmente são!

Falar que a educação no Brasil é defasada não seria nada inovador, mas mostrar que tem gente se mexendo para mudar esse cenário seria no mínimo interessante. Sem dúvidas existem mais projetos brasileiros seguindo os passos do fundador da Escola da Ponte, José Pacheco ou também do fundador da Pedagogia Waldorf, Rudolf Steiner, porém hoje destacarei apenas algumas, como o Projeto Âncora, em Cotia- SP e a Escola Desembargador Amorim Lima, localizada no bairro Butantã também em São Paulo, tanto as duas últimas citadas quanto as outras que apresentei no início do texto tem algo em comum: encorajar os alunos a trilharem seus próprios caminhos, dando a eles mais autonomia e liberdade de expressão.

Educar cidadãos com capacidade de criar, questionar e inovar o sistema e o mercado talvez pudesse ser a solução de grande parte dos problemas da população, e é aí que encontramos o X da questão. Para quem está com o poder nas mãos, isso pode representar uma ameaça, pois escolas distantes dessa realidade cumprem a missão tradicional de produzir bons funcionários. Já modelos de educação inovadores como os que citei, desenvolvem cidadãos capazes de construir autonomamente a sua capacidade para criarem valor e empreenderem.

Causar uma inovação disruptiva no que pudesse interferir no domínio e no poder da população, de certo não é uma das estratégias dos governantes para continuar no controle, e portanto apostar em métodos tradicionais e nem tão funcionais talvez seja a saída mais segura para eles. E se vocês pensam que é somente no Brasil que esse tipo de barreira existe, estão enganados. Em 1999, no início do governo de Tony Blair, primeiro ministro do Reino Unido, uma comissão produziu um relatório de 240 páginas sobre como progredir no desenvolvimento criativo e cultural dos jovens, porém segundo a BBC, o relatório foi ignorado e, até  2009 o relatório se manteve intocado.

Durante grande parte da minha formação estudantil, estudei em instituições tradicionais, porém nos últimos anos de escola tive a oportunidade de estudar em uma escola de Pedagogia Waldorf e pude notar a diferença gritante entre os modelos de ensino na prática. De maneira alguma aponto um modelo certo ou errado, aponto sim, alternativas para incentivar jovens a criar e pensar fora da caixa desde cedo para que futuramente existam empresas, negócios e principalmente uma população menos omissa e mais independente e responsável socialmente. Os jovens devem aprender a explicar o que já existe, mas também devem aprender a criar o que nunca existiu e para que isso aconteça, contar com a rede educacional pode ser o primeiro passo para a formação de novos criativos!”

Por Mariana Melissa – via Ideia de Marketing

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