A febre dos eventos “Administração 360°”: o pão e circo moderno

Moda…modismo…tendência…ou simplesmente febre: é o que aparenta vários eventos na área de administração desta nossa realidade contemporânea. O tema administração 360° não é muito velho no cotidiano de estudantes e profissionais e lembro muito bem que participei de um evento em 2008 com o mesmo título (sim, 2008!!). Mas o que faz uma sábia organização, consciente das transformações vivenciadas pelo Brasil e pelo mundo, adotar um tema assim – que por sinal já está muito desgastado?!

O que muitos devem pensar é na avaliação 360°, assunto quente da área de recursos humanos e das empresas de uma forma geral – e o pensamento está correto. “A Avaliação 360 Graus é uma importante ferramenta de Gestão de Pessoas que corresponde a uma análise sistemática do desempenho do profissional em função das atividades que realiza, das metas estabelecidas, dos resultados alcançados e do seu potencial de desenvolvimento (http://www.equestiona.com/Avaliacao_360_graus.asp)”. Independente da beleza da definição, o que podemos ver atualmente é um movimento repetitivo e sem imaginação de eventos espalhados pelo Brasil por construírem suas “reputações” com temáticas ultrapassadas para a nossa atual circunstância política-econômica-cultural, entre elas esta que dá título a este texto.

Crises, sustentabilidade, capacitação contínua, economia verde, mercado global (entre outros) poderiam ser apostas para possíveis debates dentro destes eventos, fazendo com que os participantes saiam da rotina atrofiante e percebam a necessidade de questionar algumas “verdades” ditas como a solução salvadora. Contrariamente a uma proposta de abertura de um diálogo edificante, aonde poderíamos apontar diretrizes para o desenvolvimento de cidades, países e até do mundo, é notado o puro e simples interesse financeiro se sobrepor a construção de uma sociedade com pensamento crítico. Os palestrantes abordam temas vagos, cujos conteúdos são tirados de livros fantasiosos de autoajuda; mas a parte “mais” legal é que boa parte da divulgação é focada em grandes atrações festivas. Nada contra festas em eventos, mas a partir do momento que o foco são as festas, a consequência é a criação de um povo burro, e seu único e maior interesse é a forma mais rápida de “encher a cara”.

O que muito destaca o perfil do profissional brasileiro é a habilidade de se adaptar e compreender a falta em um ou outro aspecto gerencial – pelo menos muitos pensam assim. No entanto, vemos ainda a ideia da política do “panem et circenses”, ou política do “pão e circo” (pão e jogos circenses), originada na Roma antiga quando o imperador ficou com receio de uma revolta por parte da população e logo providenciou pão e diversão para distrai-la e mantê-la quieta. A mesma prática ocorre nestes eventos de Administração, só com um diferencial: não se deseja manter o povo tranquilo, mas alienado tempo suficiente para roubar seu dinheiro e passar a ideia de que estão aprendendo. Que perfil nós teremos assim?!

Por Ricardo Verçoza – Professor, Administrador e Blogueiro

@CapitaoCoragem

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